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sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

No escadão


"Tão logo a falsidade seja desmascarada,
 a violência nua terá que aparecer
 em toda sua hediondez - e a violência, derrotada, desaparecerá.“ 
—  Alexander Solzhenitsyn

A escadaria que liga a rua Canindé ao final da rua Cauré estava deserta, senão por um gato magrelo que se espreguiçava no segundo degrau, totalmente despreocupado das coisas do mundo. O gatinho malhado, treme seus bigodes e se levanta, parecendo tentar ouvir algo. Dois jovens surgem lá no alto.
 - ahh véi, adianta falar nada com ele não, melhor deixar isso quieto que evita problema, cê não é do meu sangue mas cê é mais que irmão pra mim e se sujar pr'ocê acaba sujando pra mim também. Deixa essa porra pra lá... -  Lucas dizia com ar de preocupação, enquanto descia as escadas devagar.
 - Sei não véi, mas se pá vou acabar seguindo teu conselho deixando isso assim mesmo, tô querendo arrumar cuanga não. Mas d'agora pra frente vou ficar cabreiro com ele, esse cara é sujo demais... -  A voz de Diego não conseguia esconder sua frustração por não poder cobrar explicações pelas injúrias que sofrera.
 - Passou da hora também, né...
 - É...
 - Mas aí, bora queimar aquela preza antes de descer, daqui tô vendo os moleque lá embaixo, se rodar neles vai nem dar brisa. - Lucas disse isso e chegando ao final da escada se sentou no degrau. Diego se sentou ao seu lado.
Com mãos hábeis, o menino sem camisa e com a pele queimada de sol começou a dichavar a pouca erva que tinha, esfregando na palma esquerda com a ajuda dos dedos da mão direita. De tempos em tempos retirava uma semente ou um galhinho que estivesse no meio. Diego estava calado e pensativo, olhava os arredores, centenas de barracos amontoados, como numa pintura disforme e abstrata. O sol alto fazia o suor escorrer pela nuca, mas o vento que soprava ali no alto era agradável. Dava pra ver a baixada da Vila Celeste quase toda de lá, uma parte do Vale do Sol, do bairro Tiradentes e até as chaminés da Usina ao longe, "favela acho que é tudo igual" pensou. Não havia como saber, nunca saiu do Vale do Aço em seus dezessete anos de vida, aquele era o único mundo que conhecia, mas sabia que não poderia ficar ali por muito tempo. Não mais.

O gatinho magrelo que estava aos pés da escada, agora se enroscava entre as pernas de Diego, que acariciando o bicho sorriu pra um par de meninas que subia o escadão.
Lucas desvia os olhos que estavam atentos em suas mãos para seguir o caminhar das coxas espremidas nos shorts curtos que passavam por eles. Talvez tenha soltado alguma interjeição, mas apenas Diego poderia ouvir, além do gato, é claro.
- Oh Didi, arruma a piteira aí. - Pediu ao amigo, que em poucos segundos havia providenciado um pequeno tubo de papel cartão, rasgado da caixinha de cigarros.
A maestria com que Lucas enrolava um baseado era admirável, não mais do que a dedicação com que ele o fazia. Era como um cristão rezando seu rosario, ou um escultor e seu mármore. Em poucos movimentos o pedaço de papel e o mato seco tomavam a forma de um tubo suavemente cônico, liso e compactado. Algumas batidinhas sobre o isqueiro, e o rapaz o mostrava ao companheiro com o orgulho que um artista tem de sua obra.
- Esse ficou show... - Diego disse ao examinar o baseado, mais para o contentamento de Lucas do que por verdadeira apreciação de sua arte.
- Lei do Duende, quem bola acende. - Recitou o ditado com um sorriso enquanto levava a boca o cigarro recém nascido.

O escadão estava agora perfumado pela fumaça que como solvente estava diluindo as ânsias dos rapazes, lá embaixo, a quebrada seguia em seu ritmo de sempre. Trabalhadores indo e vindo pelas ruas e vielas, senhorinhas de pele escura subindo e descendo os morros e escadas com suas sacolas, alcoólatras serrando uma pinga no boteco, um ou outro nóia na esquina provocando medo em alguma tia que se acha boa demais pra viver ali, tudo normal.

Entre os lábios finos e ressecados de Diego, cobertos por uma rala penugem que um dia poderia tornar-se um bigode, morria o baseado. Os dedos de pontas amareladas jogaram a bituca no barranco, ao lado da escada. Os olhos vermelhos já estavam moles, perdidos no aglomerado de casebres que se estendia até os limites da visão, quase tocando o céu.

Já eram quase três da tarde quando Lucas olhou as horas e pediu ao Diego que esperasse um pouco mais, pra deixar a onda passar antes que eles descessem para a praça. Ficaram os dois alí, conversando sobre a quebrada, sobre as tretas, sobre as novinhas que subiram ainda a pouco.

Diego estava com a cabeça inquieta, sabia que poderia estar correndo risco, o que o deixava mais calmo era o recado que Lucas o deu mais cedo, dizendo que o Marquinho falou que não ia arrumar problema com ele não, que era pra esquecer essa treta e deixar essa ideia errada pra trás. Pelo menos Lucas era um cara de sua confiança, dava pra confiar, mas esse Marquinho é um cara sujo. Todo mundo na quebrada sabia que ele tinha matado o Paulinho por muito menos. Pensar nisso dava um frio na barriga, sorte que o amigo havia rodado o chá pra dar uma relaxada. Diego volta a pensar no bairro, talvez nem precise ir embora, aquele lugar era bom, as pessoas que viviam ali o viram nascer e crescer, era como se toda a Favelinha fosse seu quintal.

O barulho de uma motocicleta rouba a atenção que estava voltada para seus pensamentos. Seu raciocínio está mais lento que o normal. Dois homens sobre uma moto parada aos pés do escadão, Lucas que estava de pé a uma distância segura, apontava com o dedo indicador na direção de Diego, que demorou demais para entender a situação na qual estava. O revólver na mão do ocupante de trás da moto nem sequer tremia, já não dava tempo para dizer mais nada. Diego primeiro sentiu uma fisgada no peito, depois um barulho alto e um zumbido contínuo, já não sabia ao certo a quanto tempo estava ali, de repente já não havia mais os dois homens em uma moto, nem havia Lucas, nem fumaça, nem meninas subindo a escada. Diego sentia frio, ouvia vozes de mulheres gritando e chorando ao longe, sentia sua garganta seca e uma sede que só aumentava, o tempo já não passava mais, não tinha certeza se ainda enxergava ou se seus olhos estavam fechados, era incerto o que ele via, se conseguisse falar de certo pediria um copo d'água. Mas já não falava, o zumbido em seu ouvido foi diminuindo até que o silêncio o abraçasse, as coisas incertas que via foram se ofuscando, misturando-se à escuridão, e seu corpo alcançou a inércia contra a qual lutou cada segundo de sua curta vida.

Algumas horas depois, polícia, rabecão, jornal. Na manhã seguinte a manchete escondida no folhetim de ocorrências policiais iria dizer: "Jovem envolvido com o tráfico de drogas é morto em confronto entre gangues no bairro Vila Celeste".

Durante o velório de Diego, poucos amigos e parentes se fizeram ver. Lucas estava lá, chorou copiosamente quando a mãe do defunto o abraçou e o agradeceu por sempre ter sido um bom amigo para o filho.

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

A hora certa

O Tempo
Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança,
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar
e entregar os pontos.

Aí entra o milagre da renovação
e tudo começa outra vez, com outro número
e outra vontade de acreditar
que daqui para diante tudo vai ser diferente.

(Roberto Pompeu de Toledo)



O bar estava abrindo quando os dois homens chegaram, o proprietário os conduziu até uma mesa sob a sombra de uma acácia na calçada, o sol do verão estava a pino. Logo veio uma cerveja gelada e dois copos, um dos que chegaram, que parecia mais habituado ao lugar, gritou pro dono do bar pedindo um maço de cigarros e a senha do wi-fi, o outro serviu os copos.

 - Uai Gustavo, pensei que cê tinha parado de fumar - disse Júlio.

 - Tinha, mas é fim de ano, depois do réveillon eu paro de novo... - o companheiro respondeu enquanto abria o maço de Hollywood
 - ...cadê seu isqueiro? - completou a frase estendendo a mão para Júlio, que o entregou um Bic branco, quase sem gás.

Um carro de som tocando uma música natalina insuportável passava pela segunda vez em frente o bar, intercalando os fragmentos de uma canção clássica com a propaganda de alguma loja de móveis e uma mensagem de feliz ano novo, o som alto interrompia as conversas e atrapalhava as senhoras que dentro de suas casas tentavam assistir televisão, esse era o presente de fim de ano daquela loja de móveis para os moradores do bairro Bethânia.

 - ... para os judeus é em setembro, para os chineses é em novembro, e em algumas culturas o tempo nem é dividido em anos, como é na nossa. Isso me lembra aquele poema do Drummond, sobre o cara que cortou o tempo em fatias, pra vender um recomeço... - Júlio discursava enquanto Gustavo tragando seu cigarro o olhava com atenção.

- Eu sei, cara. Essa coisa de ano novo, réveillon, é palhaçada comercial. Galera aproveita pra vender a hora certa da mudança, mas não muda porra nenhuma... - disse sorrindo, cinicamente.

- O tempo é uma ilusão, a hora certa é uma ilusão ainda maior. - Júlio respondeu, levantou a mão e acenou para o dono do bar, retirou a garrafa vazia da capa térmica em que estava, outra ocuparia seu lugar logo.

- E como é que estão seus planos pro ano que vem? Vai continuar nesse trampo? - Gustavo perguntou, dando continuidade a conversa de alguns minutos antes de chegarem ao bar.

Júlio abriu a boca para responder, mas sua atenção fora roubada por um menino, de uns onze anos mais ou menos, negro, magro, sujo, que tentava vender balas para os poucos clientes que estavam no bar. Júlio apenas o dispensou com um sinal de mão, o menino saiu oferecendo suas balas para outros, sem dar atenção ao fato de que o Gustavo não tirava os olhos do menino, Júlio retoma o assunto.

- Cara, eu não sei. Até quero ficar lá, mas dirigir quarenta quilômetros pra ir e mais quarenta pra voltar todos os dias tá me deixando cansado, além de sair bem caro. Essa semana a gasolina aumentou mais uma vez, a expectativa é que chegue a até seis reais o litro antes do carnaval. Tá foda...

- foda... - os olhos de Gustavo ainda estavam no menino, que agora sentado na calçada contava moedas.

- Mas, tirando isso, tá sendo uma boa trabalhar lá, tem um boteco muito bom no caminho, sempre paro lá quando estou voltando pra casa.

Gustavo olhava para o celular, parecia esperar algo, bebia em goladas longas e tinha as mãos inquietas, ora com o cigarro e isqueiro, ora com os dedos tamborilando na mesa. Seu pensamento vagava pelos ermos desconhecidos da mente alheia, pelo celular, pelo menino, pelo compromisso marcado para as dezoito horas em ponto, pelas duas cartas que devia ter despachado antes do recesso e acabou se esquecendo... Seu pensamento vagava muito além dali, não estava preocupado com o trabalho de Júlio, com o ano novo ou com o preço da gasolina, já eram quase três da tarde e seu compromisso inadiável se aproximava.

- ô Júlio, acho que vou nessa, tenho uma parada pra fazer mais tarde...

- Beleza Gu, mas aí, se cê não for fazer nada, passa lá em casa mais tarde, vamo queimar uma carne e tomar umas breja, de lá de casa dá pra ver os fogos de artifício, vai ser massa.

- Beleza, qualquer coisa eu te ligo. - Gustavo abraçou Júlio, se despediu, deixou duas notas de dez reais sob a comanda na mesa, acenou para o dono do bar novamente e se despediu também dele.

Quando abria a porta de seu carro, o menino das balas o abordou novamente.
- Ô Tio, compra uma bala aí, só pra me ajudar, tô desde cedo aqui. - argumentou.

Gustavo olhava para ele e não sabia o que sentia, via na pele do menino a própria pele, no olhar constrangido seus próprios constrangimentos. Tirou a carteira e pegou a única cédula que nela havia. O menino parecia assustado e hesitante em aceitar aquela nota.

- Feliz ano novo pr'ocê, vai pra casa. - Entrou no automóvel sem ouvir o garoto agradecer, mas enquanto virava a esquina podia ver o sorriso no rosto dele pelo espelho retrovisor.

No caminho para casa, de minuto em minuto Gustavo olhava para o celular, nada de novo. Passou por sua cabeça a ideia boba de não ir pra casa, de procurar algum outro amigo, ou algum outro bar, ou de voltar até aquele menino e perguntar sobre a vida dele, ou o levar em uma lanchonete ou uma loja de tênis,  ou qualquer outra coisa que o atrasasse mas decidiu que era melhor não, pensou em desmarcar o compromisso de hoje a noite, mas não havia porque. Ao chegar em seu apartamento, tirou um cochilo, tomou um banho demorado, pegou um banquinho e colocou na sacada, foi até a geladeira, abriu uma cerveja, acendeu mais um cigarro e ficou olhando o sol se pôr do nono andar, buscava alguma vibração, alguma notícia em seu celular, mas esse estava inerte.
Às dezessete horas e cinquenta e nove minutos ele tira os chinelos e a camiseta. Termina sua cerveja, joga a bituca do cigarro lá em baixo, a observa cair devagar. Alguns segundos depois, Gustavo sobe no banquinho, fica em pé no parapeito e dá um passo no ar, e mais um passo, e outro, Gustavo sente o vento frio batendo forte, suspira, flutua no céu. Às dezoito horas e um minuto, o celular esquecido no parapeito da sacada toca incansavelmente, longe dos olhos e ouvidos de Gustavo, que já não enxerga ou escuta nada.

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

O Casaco



A escuridão fresca de final de inverno se deitava sobre o teto, embora a poluição tornasse impossível ver as numerosas estrelas que deveriam brilhar na noite de lua nova, havia um céu grisalho e até bonito se misturando aos morros cobertos de casebres lá longe, no limite da visão. Sobre a mesa, dois copos, ao redor dela, duas pessoas que tentavam se entender numa conversa distraída que já se estendia desde o cansar do sol vermelho e preguiçoso. 


- Ela me ligou essa noite, era umas três horas já, eu acordei com o telefone vibrando e vi que era ela… - interrompeu a si mesmo para dar um longo gole no copo de cerveja - pensei em atender, mas deixei a chamada cair. - pronunciou enquanto olhava para os lados, como se desviasse de alguém ou procurasse aprovação em algum olhar do outro lado da rua.


- E cê não ficou curioso pra saber o que ela queria dizer? - o amigo perguntou com um cínico sorriso no rosto, como se já tivesse ouvido essa mesma história mil vezes.


- Cara, o que me preocupa é o que ela poderia querer fazer. O que ela tem a dizer pouco me importa. Por isso não atendi… Embora tenha sido mais difícil resistir depois de ela ter feito umas sete chamadas, eu só coloquei o telefone longe de mim
.

- Tem quanto tempo desde a última vez que cês se falaram - os olhos do amigo deixavam claro que ele se referia muito mais do que apenas a conversa.


- Uns dois meses já, e ela esqueceu um casaco lá em casa.


- Tudo que vai volta né… - retrucou o companheiro.



–O CASACO ESQUECIDO–



Na avenida paralela à principal do bairro Betânia, há um longo e espaçoso gramado que separa as duas mãos da avenida, sobre esse gramado existem algumas torres dessas que dão suporte aos fios elétricos de alta tensão. Um espaço muito bem aproveitado pelos donos dos bares que circulam esse grande canteiro, espalhando sobre a grama incontáveis mesas plásticas dessas amarelas ou vermelhas, tão comuns nos botecos de periferia. Por estar perto da faculdade, e por ser um lugar de fácil acesso, tornou-se uma das principais zonas boêmias desse lado da cidade, com seus vários públicos dividindo o mesmo gramado, sob os mesmos fios elétricos enquanto se afogam em cerveja ao som de toda sorte de músicas dos mais variados ritmos que emanam das incontáveis caixinhas de som portáteis que os frequentadores costumam colocar sobre suas mesas. Em um desses bares, Álvaro bebia com seus amigos numa tarde de sábado, depois do sexto ou sétimo litro de cerveja, os já alcoolizados jovens que o acompanhavam decidem ir embora. Agora ele estava sozinho, o telefone sobre a mesa, a orgia de vozes e roncos de motor que se misturavam ao sons das caixinhas portáteis era quase melodioso aos ouvidos naquele momento. Sentia a energia estática gerada pelos cabos de alta tensão arrepiar os pelos de seu braço, uma sensação estranha e agradável, o fazia pensar sobre a possibilidade de que as pessoas que ali estivessem fossem de alguma forma afetadas pelo campo eletromagnético dos cabos, que era de fato perceptível ao contato na pele, depois achou a ideia idiota, e riu de si mesmo por pensar nisso, depois voltou a refletir sobre o assunto pois lembrou-se de que o cérebro funciona por impulsos elétricos, tentou se aprofundar nessa ideia mas ela voltou a parecer estúpida e acabou por deixá-la de lado. Essa ideia ficou vagando no limbo de sua mente, e por vezes ressurge ao pensamento objetivo, até ser novamente descartada. O telefone toca. É ela.



- Oi.


- Oi, cê tá bem?


- Tô, eu quero te ver…


- Posso passar na sua casa?


- Pode sim, cê vem agora? Vou te esperar no portão…


- Tá bem, passo aí em uns cinco minutos.



Menos de trinta segundos de chamada, ele paga a conta e vai pro carro. Sente um pequeno choque ao tocar na lataria, lembra da ideia do campo elétrico novamente e entra no carro. Algumas ruas são percorridas ao som de uma antiga canção sobre bandolins e valsas, antes que ela acabe o carro para em frente ao portão dela. Ela já estava esperando.

A jovem magra e pálida usava um casaco preto de aspecto macio, a porta do carro se abre junto com o elogio:


- Bonito casaco.



Algum tempo depois disso, o casaco bonito estava jogado no chão do quarto, estático e sem forma. A moça de pele pálida mostrava um rosto enrubescido que se apertava contra o travesseiro, o corpo magro, sem roupa, revelava suas curvas e era mais bonito de ser ver. A manhã se anunciava na janela quando o telefone dela tocou, despertando-a de seu curto sono. Foi ao banheiro e voltou pegando suas roupas, vestindo-as com pressa.


- Preciso ir embora, se veste.


De bermuda, camiseta e chinelo ele abre a porta, e depois o portão e depois a porta do carro. Dirige em silêncio até a rua dela.


- Me deixa na esquina, minha mãe tá em casa.


Um breve beijo de despedida e ela se vai.

Ficou parado a observando andar por um tempo, depois foi até a padaria, tomou café e recebeu uma mensagem no celular:



- Meu casaco ficou na sua casa, guarda ele pra mim.